Crônicas de uma escola muito louca
"Quando acordei, prometi que seria um dia bom, mas meu Peugeot 207 decidiu que não. Além do rádio que não lia mais pen drive e só sintonizava na estação gospel (pelo menos era a única da cidade que não tocava ‘A Voz do Brasil’), tínhamos também um fusível queimado no ar-condicionado. Me encaminhava à escola, já imaginando o caos que me aguardava, quando uma fumaça misteriosa começou a sair do capô. Parei em qualquer lugar – literalmente, qualquer lugar – e descobri que o vazamento de água era, na verdade, o reservatório do radiador decidindo que já tinha sofrido o suficiente. Chamei um Uber. Cheguei vinte minutos atrasado, pois o motorista insistia em dirigir devagar enquanto contava a história da mãe, que tinha um carro igual ao meu. ‘Explodiu com ela dentro’, ele disse, como se isso fosse um fato casual, do tipo ‘hoje o dia está bonito’. Eu pensava: ‘Deus, se eu tivesse um filho desses, eu também me explodiria.’ Na sala de aula, a turma do 1°C me aguardava. Quer dizer, uma peque...